quinta-feira, 13 de março de 2014

Faleceu Dom José da Cruz Policarpo

Sim, a notícia de ontem ao jantar, surpreendeu os portugueses a garantir a transitoriedade da vida através da figura ímpar da Igreja de Lisboa. O Cardeal Dom José da Cruz Policarpo, patriarca emérito de Lisboa, acabava de falecer no Hospital dos SAMS.
Fica assim de luto o Episcopado Português porque um dos seus mais ilustres irmãos aguarda a ressurreição final já não deste lado terráqueo. Está de luto a Igreja em Portugal, não por ele ter sido seu chefe (essa figura não existe em termos nacionais nem a diocese de Lisboa tem supremacia em relação às outras), mas porque o Bispo de Lisboa foi e continua sendo uma figura de referência pelo perfil humano, currículo académico, grande finura cultural, sensibilidade social, sensus Ecclesiae e tacto pastoral. Por outro lado, na linha da solicitude pastoral pelas Igrejas, também é notável a sua postura, por exemplo, pela dedicação à Conferência Episcopal, que serviu com denodo e a que presidiu em várias ocasiões, bem como pelo serviço de aconselhamento pontifício e pela colaboração no governo da Igreja Universal através do desempenho de múnus vários na Cúria Romana e pelas iniciativas que lançou no âmbito da nova evangelização, da pastoral das cidades e do diálogo inter-religioso.
Quanto ao seu trabalho académico, de todos amplamente conhecido (não sei se em profundidade), vasto e diversificado – quer pela obra publicada, quer pelos cargos desempenhados quer ainda pela palavra proferida em discursos, mesas-redondas, entrevistas, etc – gosto de referir que bastaria a publicação de dois escritos seus para que ele se tornasse uma notável coluna da teologia pós-conciliar: a teologia das religiões não cristãs, uma boa pedrada no charco da reflexão teológica, ainda pouco explorada neste importante setor; e sinais dos tempos, um tratado sistemático da doutrina a partir dos desafios que o mundo no seu dinamismo ambivalente lança para a ribalta, na linha da intuição de João XXIII assumida e desenvolvida pelos padres conciliares em vários documentos do Concílio Vaticano II, de que se destacam: a Gaudium et Spes (Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual); a Nostra Aetate (Declaração sobre a Igreja e as Religiões Não Cristãs); a Dignitatis Humanae (Declaração sobre a Liberdade Religiosa); o Inter Mirifica (Decreto sobre os Meios de Comunicação Social); e o Unitatis Redintegratio (Decreto sobre o Ecumenismo). São documentos – os do patriarca emérito e os do Concílio – que vale a pena reler e aguardar que atraiam mais estudo, reflexão, formulação teológica e melhor ação pastoral.
Apreciei imenso o painel de testemunhos de quantos, ainda não refeitos da surpresa, tiveram a ousadia de se pronunciar no calor do acontecimento. Disseram-se coisas maravilhosas e inteiramente verdadeiras de um homem de Deus, da Igreja e do Mundo, que, não sendo naturalmente um ser infinitamente perfeito, foi, por vezes, injustamente apreciado, nem sempre bem amado e, sobretudo pouco seguido. Das poucas vezes que falei com ele, posso reter a ideia firme que tinha do labor teológico, da clarividente ação pastoral, da capacidade de tolerância e acolhimento das ideias de outrem e da justa medida das coisas. Não é por certo necessário nem do seu agrado que, para o enaltecer, se reduzam as virtualidades de qualquer um dos seus antecessores ou atribuir especial significado àquele sonho de ser pároco de aldeia (o habitual horizonte dos candidatos ao exercício do sacerdócio ministerial numa diocese). Nenhum patriarca de Lisboa dos últimos tempos (cuja história está ainda muito por fazer) pode ser considerado uma figura de mera transição, a não ser que assentemos a sério na formulação teológico-bíblica, para todos e para tudo, de que esta vida é inquestionavelmente é um simples lugar de passagem, uma ora penosa ora leda peregrinação a caminho do Além muitas vezes sobre mais escolhos que estrada. Por isso, gostei dos testemunhos positivos de ontem, mas destaco o do professor e padre Anselmo Borges pelo apreço do perfil, pelo enaltecimento da obra e pelo sentido da justa medida.
Sendo assim, há que prestar ao eminente, que agora espera por nós, a homenagem crente pela oração, a veneração culta da memória, o seguimento discreto da concretização do desígnio, o esforçado estudo e divulgação da obra. De resto, os grandes homens têm sempre lugar de relevo na História, sem necessidade de atropelos mútuos, e um papel eloquentemente pedagógico para quem estiver disponível para o assumir.
Louvemos os Homens Ilustres, porque souberam congregar o povo, sentiram o pulsar do tempo, divisaram o futuro, e a sua memória será o luzeiro dos nossos caminhos!
2014.03.13
Louro de Carvalho


D. JOSÉ POLICARPO - MORREU O PATRIARCA "QUE NÃO PEDIA LICENÇA PARA DIZER O QUE PENSAVA"

O patriarca emérito de Lisboa, que morreu na quarta-feira durante uma cirurgia de emergência a um aneurisma da aorta, é recordado por várias figuras da Igreja ouvidas pelo PÚBLICO como “um homem de pensamento e um bom pastoralista”, que influenciou a formação dos actuais padres e que esteve em Roma numa altura de viragem após o Concílio Vaticano II.
Não foram colegas de seminário mas encontraram-se no Colégio Português, em Roma, para onde vão os consagrados que querem continuar a estudar. Então, no final da década de 1960, início da de 1970, António Janela e José Policarpo estudaram, rezaram e fizeram férias em conjunto. “Não se pode esquecer que D. José era também um homem de pensamento e um bom pastoralista”, refere o cónego Janela, actualmente na paróquia do Coração de Jesus, em Lisboa.
Também o cónego Carlos Paes, pároco de São João de Deus, em Lisboa, e responsável pelas Equipas de Santa Isabel (que acompanham casais recasados), actualmente em Cabo Verde a fazer uma formação para o clero daquele país, ficou "chocado" com a "notícia inesperada" da morte de D. José Policarpo. Com três anos de idade de diferença, tinham apenas um de curso, o que significou que se foram sempre acompanhando na sua formação e, muitos anos depois, na formação dos futuros padres. "Daí uma amizade que se prolongou pela vida toda", confessa.
Carlos Paes lembra que Policarpo estava em Roma quando se deu o Concílio Vaticano II e acompanhou-o de perto. "Foi uma experiência muito rica. Quando vinha de férias, fazíamos sempre umas tertúlias para conversarmos" sobre as mudanças e desafios que se colocavam à Igreja. "Ele estava em Roma, no coração da viragem que se estava a operar", reforça.
Quando regressou a Portugal já doutorado, o padre José Policarpo foi escolhido pelo ainda cardeal Cerejeira para dirigir o seminário dos Olivais, em Lisboa, “ficou encarregue de o reconstruir”, continua António Janela, lembrando que aqueles foram “anos muito duros os que se seguiram ao Concílio Vaticano II”, com padres a abandonar a Igreja Católica ou a serem afastados por não concordarem politicamente com a ditadura, por exemplo.
Décadas mais tarde, é D. José que os reintegra e, por exemplo, em 1998, celebra o matrimónio do ex-sacerdote Felicidade Alves – a Fundação Mário Soares apresentou na terça-feira o arquivo pessoal deste ex-padre. Durante as décadas em que esteve à frente do seminário foi “uma figura marcante” na formação dos futuros padres, recorda António Janela.
“Um homem ecuménico”
Para Carlos Paes, o cardeal emérito é responsável pela qualidade do clero do Patriarcado de Lisboa, uma vez que esteve à frente do seminário dos Olivais muitos anos. "Teve importância para o novo tipo de padres que são os que estão hoje a trabalhar. D. Manuel Clemente [que lhe sucedeu] foi seu discípulo. Foi sempre um homem de cultura que não será esquecido facilmente", continua o cónego.
D. António Ribeiro, o então Patriarca de Lisboa, tinha “enorme confiança” em Policarpo e, sabendo que este seria nomeado para bispo do Porto, pediu directamente a Roma que José ficasse como seu co-adjutor com direito a sucessão, continua Janela. Assim foi. Depois da morte de António Ribeiro, em 1998, Policarpo sucede-lhe à frente dos destinos de Lisboa. Foram os últimos anos, na primeira década do século XXI, que foram mais marcantes, avalia António Janela, recordando o Congresso Internacional para a Nova Evangelização que marcou a Europa católica e a pôs a reflectir sobre os desafios colocados à sua fé. “Foi um homem ecuménico.”
"Era uma pessoa que tinha um espírito bastante calmo mas que estava sempre bem-disposto e com um sentido de humor muito espontâneo", recorda Paes, acrescentando que "não tinha aquele estilo clerical considerado negativo": "Era franco e directo e de um trato muito agradável. Era um homem com a capacidade de ver dentro dos acontecimentos e de projectar uma ideia sempre de forma muito espontânea e lúcida", conclui.
Actualmente, D. José Policarpo encontrava-se em Sintra e sentir-se-ia “um pouco isolado”. Depois de tantos anos de mundo, “é difícil a adaptação, mas queria fazer um centro de espiritualidade e disse que o Papa o tinha encarregado de uma missão, sobre a qual não podia falar, mas era uma missão noutro país”, conta António Janela.
D. José Policarpo foi “o meu reitor no seminário, o meu reitor na universidade, trabalhei com ele diariamente”, conta no final da noite de quarta-feira o cónego Álvaro Bizarro, ecónomo do Patriarcado de Lisboa, onde chegou pela mão de D. José e se mantém ao serviço de Manuel Clemente. Bizarro recorda um “homem bom”. “Acredito que as almas dos homens justos estão nas mãos de Deus”, diz ao PÚBLICO, no momento em que está  a preparar as cerimónias fúnebres do cardeal emérito.O funeral decorre nesta sexta-feira, às 16h, na Sé de Lisboa.

Faleceu D. José Policarpo



Biografia

Foi o mais velho de nove filhos e filhas1 de José Policarpo, Jr. (Pego, Alvorninha, 18 de Abril de 1902 – Odivelas, 20 de Outubro de 1987) e de sua mulher Maria Gertrudes Rosa (Benedita, 17 de Outubro de 1909 – Alvorninha, 6 de Setembro de 1994), casados em Alvorninha a 26 de Janeiro de 1935.
Estudou filosofia e teologia nos seminários de SantarémAlmada e Olivais, em Lisboa, tendo-se licenciado (2º grau canónico) em Teologia Dogmática, em 1968, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com uma tese intitulada Teologia das religiões não cristãs.2 Prosseguiu os seus estudos na mesma universidade, tendo-se doutorado também na área da Teologia Dogmática com a tese "Sinais dos Tempos. Génese histórica e interpretação teológica". Foi ordenado sacerdote em 15 de Agosto de 1961.3
Foi nomeado bispo-auxiliar de Lisboa em 26 de Maio de 1978, sendo a sua ordenação episcopal datada de 29 de Junho de 1978. Foi um activo colaborador do cardeal patriarca D. António Ribeiro, tendo sido seu vigário-geral. Foi nomeado arcebispo coadjutor de Lisboa a 5 de Março de 1997,3 tendo por isso direito de sucessão.
José Policarpo foi reitor da Universidade Católica Portuguesa, entre 1988 e 1992, depois de ter exercido funções como professor auxiliar (1971), professor extraordinário (1977) e professor ordinário (1986) da Faculdade de Teologia. Dirigiu a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, entre 1974 e 1980 e, de novo, entre 1985 e 1988, e presidiu à Comissão Instaladora do Centro Regional do Porto, entre 1985 e 1987. Foi igualmente reitor do Seminário dos Olivais, de 1970 até 1997.
Protagonista da renovação cultural da Igreja Católica em Portugal, teve cerca de cinquenta obras publicadas, era sócio honorário da Academia das Ciências de Lisboa e académico de mérito da Academia Portuguesa de História.
Morreu a 12 de Março de 2014, aos 78 anos, vítima de um aneurisma na aorta.4

Cardinalato[editar | editar código-fonte]

Com o falecimento do Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, D. José da Cruz Policarpo sucedeu como 16º Patriarca de Lisboa em 24 de Março de 1998.3 O pálio, insígnia dos metropolitas, foi-lhe imposto pelo cardeal-bispo Angelo SodanoSecretário de Estado do Vaticano, numa celebração antecipada dos Santo Apóstolos Pedro e Paulo, em 28 de junho de 1998, na Igreja doMosteiro dos Jerónimos, no contexto do dia da Santa Sé na Exposição Mundial de 1998 que decorreu na cidade de Lisboa.5 Este cargo detém o raríssimo privilégio perpétuo do prelado que o ocupar ser nomeado cardeal no consistório seguinte ao da sua investidura no mesmo, tendo isso acontecido em 21 de Fevereiro de 2001. Nesta data D. José da Cruz Policarpo foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II, tendo-lhe sido outorgado o título de cardeal-presbítero de S. Antonio in Campo Marzio3 , que corresponde à Igreja de Santo António dos Portugueses. Tomou posse desta igreja em 27 de maio de 2001.6 Como D. José IV, foi patriarca de Lisboa entre 1998 e 2013. Tendo sido nomeado cardeal em 2001, assumiu o título de cardeal patriarca de Lisboa até à data da nomeação do seu sucessor.
Enquanto cardeal eleitor, participou no Conclave de 2005 que elegeu Joseph Ratzinger como Papa Bento XVI.3 Em 2013, participou no Conclave de 2013, que elegeu Jorge Bergoglio comoPapa Francisco, que sucede a Bento XVI.

Controvérsias

14 de Janeiro de 2009, D. José Policarpo causou alguma controvérsia quando, num simpósio, pediu às jovens portuguesas que pensassem duas vezes antes de casar com ummuçulmano. Para D. José tais casamentos acarretariam um "monte de sarilhos que nem Alá sabe onde terminam".7 Disse ainda que o diálogo com a comunidade muçulmana seria difícil e que a mesma não seria aberta a críticas. A comunidade muçulmana em Portugal revelou-se magoada com as palavras do cardeal, enquanto que para a Igreja as declarações são antes um convite a um diálogo mais aberto e um apelo ao conhecimento mútuo.8 A ONG de direitos humanos Amnistia Internacional considerou as afirmações "discriminatórias e separativas".9

Renúncia

18 de Fevereiro de 2011, o próprio cardeal anunciou que enviou uma carta ao Papa Bento XVI, renunciando ao Patriarcado, uma vez que em 26 de Fevereiro completaria 75 anos, idade limite para o exercício da prelazia.10
Cquote1.svgOntem mesmo escrevi a carta ao Papa – está previsto no direito canónico que um bispo, quando cumpre os 75 anos, pede ao Santo Padre a resignação do seu mandato" – e fico à espera da sua decisão.10Cquote2.svg
— Cardeal Policarpo
19 de Junho de 2011, D. José Policarpo revelou a resposta do Santo Padre, pedindo que permanecesse por mais dois anos.
Cquote1.svgGostava de vos anunciar, hoje, Dia da Igreja Diocesana, que o Santo Padre Bento XVI já respondeu ao meu pedido de resignação, pedindo-me que prolongue o meu ministério episcopal, na Igreja de Lisboa, por mais dois anos. Serei até ao último minuto o Bispo que Deus deu à sua Igreja, para a conduzir nos caminhos da comunhão.11Cquote2.svg
— Cardeal Policarpo
É uma orientação que não surpreende, já que a regra que tem sido utilizada pelo Vaticano em relação aos cardeais aponta para que se mantenham no cargo por mais dois a três anos além dos 75. O Papa Bento XVI voltou a aplicar uma antiga tradição: enquanto um cardeal não atinge os 80 anos, o seu sucessor nunca é nomeado cardeal. Ou seja, nos próximos quatro anos, o sucessor de D. José Policarpo nunca receberá o título de cardeal por parte de Roma.
A sua renúncia foi finalmente aceite a 18 de maio de 2013, tendo o Papa Francisco nomeado como seu sucessor o bispo D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, bispo do Porto.12 Desta forma passa a ser referido como Cardeal-patriarca emérito. Permaneceu em funções como administrador apostólico da diocese até à tomada de posse de D. Manuel Clemente.13

Pode ver também:

terça-feira, 11 de março de 2014

Por mares nunca dantes navegados


A ASEL, no âmbito da sua participação na UASP – União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses – organizou um concerto, no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, no dia 27 de Outubro de 2013, com a participação do Grupo Coral de Resende e da The River Brass Band, a fim de angariar um montante financeiro que contribuísse para a campanha “Por mares nunca dantes navegados”.
Este concerto, cuja afluência não satisfez contudo os responsáveis e por isso não foi financeiramente relevante, permitiu angariar cento e oitenta euros (180€), que foram doados pela ASEL à referida campanha “Por mares nunca dantes navegados”, organizada e levada a cabo pela UASP com o fim de levar a Cabo Verde e às suas dioceses um contributo simbólico para apoiar a formação dos seus seminaristas.
Este contributo foi entregue in loco durante o mês de Fevereiro de 2014, numa visita que ficou na retina dos representantes da UASP.

quarta-feira, 5 de março de 2014

UASP realiza Assembleia Geral em Vila Real

A UASP e a Associação de AAASVReal convidam para um
fim-de-semana cultural em Vila Real




                                        Convocatória para Assembleia Geral (aqui)


A Direcção da AASVR tem vindo a preparar o programa que se apresenta de forma a proporcionar, tanto quanto possível, uma boa e agradável estadia a todos os participantes da Assembleia Geral (fim de semana de 15 e 16 de março) e outros interessados, tendo em conta o convívio, a cultura, a gastronomia e a visita de parte desta bela região duriense, onde o "Dom Porto" é rei!

Por isso, espera-se que se inscreva o maior número de participantes e o "Programa" fará assim mais sentido!

• O preço por pessoa é de
80 euros, pensão completa, para sábado e domingo (auditório, almoços, jantar, dormida, entradas aos Museus, autocarro, etc).

• É possível alojamento também para sexta-feira, dia 14 Março (€ 12,00).

• Para que se possam fazer, atempadamente, as respectivas reservas, as inscrições deverão chegar aos seguintes contactos, até
dia 5 de Março:

   1 - José Manuel Moura: Tf  966747874 (
jmsmoura@hotmail.com)
  2 - António Dinis do Vale - (elav@sapo.pt)
   3 - Joaquim Ribeiro Aires - ( joaquimribeiroaires@sapo.pt )

Pela Direcção da AAASVR
José Manuel Moura

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Falecimento

Caros amigos da Direção da ASEL.

Levo ao vosso conhecimento que na madrugada do dia 28 de fevereiro de 2014 faleceu no Hospital «Padre Américo» em Penafiel, o Padre Manuel de Jesus Cardoso Moura, Pároco de Santiago de Piães.

O Pe. Manuel Moura nasceu em S.Cristovão de Nogueira do Concelho de Cinfães no dia  23 de abril de 1944
e foi ordenado sacerdodte em 28 de agosto de 1982.

Após a sua ordenação foi nomeado pároco de Santiago de Piães, onde permaneceu até ao seu falecimento.

O funeral é amanhã, dia 1 de março na Igreja de Santiago de Piães às 11h00 e o seu corpo, segundo a sua vontade expressa, ficará sepultado no cemiterio local,  no meu cemitério onde estão sepultados, entre outros, o Pe. Jerónimo Nogueira, o Pe. Daniel da Costa e o Pe. Agostinho de Jesus e Sousa.

Paz à sua alma.

Adão Sequeira

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Direção da ASEL reune no Seminário de Lamego

No próximo dia 1 de março a Direção da ASEL irá reunir no Seminário Maior de Lamego com vista a preparar o próximo Encontro Nacional. Entre os diversos assuntos a tratar, relacionados com a temática do Encontro, estará também a abordagem à nomeação de D. António Francisco dos Santos para Bispo do Porto como figura proeminente da nossa Associação.
Mias desenvolviemntos decorrentes deste Encontro serão publicados aqui.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Padres de Aveiro tentaram evitar saída de D. António Francisco para o Porto

Novo bispo substitui D. Manuel Clemente após nove meses de espera; 
processo levantou muitas críticas em Aveiro, Porto e Lamego
 (in http://religionline.blogspot.pt/2014/02/padres-de-aveiro-tentaram-evitar-saida.html)

 
Um grupo de quatro padres da diocese de Aveiro tentou ontem, numa iniciativa de última hora, evitar a saída do actual bispo da diocese para o Porto. Sem sucesso: D. António Francisco foi nomeado esta manhã como sucessor de D. Manuel Clemente, nove meses depois da saída deste último para patriarca de Lisboa.
A informação, confirmada por RELIGIONLINE junto de várias fontes, não mereceu, até agora, qualquer comentário da Nunciatura do Vaticano em Lisboa, apesar do pedido de esclarecimentos feito ao final da manhã de hoje.
A reunião de ontem decorreu de forma cordata, tanto quanto foi possível apurar. Mas o núncio, o arcebispo italiano Rino Passigato, terá insistido com os quatro padres na irreversibilidade da decisão. O argumento invocado foi o da obediência ao Papa – embora a decisão seja, essencialmente, tomada pelo próprio representante diplomático da Santa Sé no país.
O padre João Gonçalves, da diocese de Aveiro, disse ao RELIGIONLINE que o sentimento de “mágoa” da diocese é “muito profundo”: D. António Francisco “está cá há muito pouco tempo [desde 2006] e, em poucos meses, temos uma segunda perda, depois da morte de D. António Marcelino”, em Outubro, lamenta.
João Gonçalves, responsável nacional pelas capelanias prisionais, acrescenta que, quando alguém é nomeado como bispo residencial de uma diocese, “há quase um matrimónio”. Por isso, ir buscar o bispo residencial de Aveiro para o Porto “começa por ser algo de estranho”. Mas o pior é que, entre o clero da diocese, o sentimento de perda, diz, “é indescritível: é a transferência de um pai”, conhecidas que são as qualidades humanas de D. António Francisco, na relação com as pessoas.
“A diocese de Aveiro não foi ouvida. E, se é verdade ter sido invocado o argumento da obediência, esse devia ser o último recurso, porque se deveria privilegiar o diálogo com a pessoa”, acrescenta.
“O que há de pior na Igreja”
O processo de escolha de um bispo começa normalmente por pedir a membros do clero que apresentem sugestões de nomes. Dessas sugestões (e das próprias ideias do núncio ou de outros bispos), são retirados três nomes – a terna –, que depois são enviados para Roma, já com as indicações do núncio do respectivo país. Pode haver casos em que há necessidade de uma segunda ou mesmo terceira lista, mas tudo é feito no maior secretismo, com juramentos das pessoas auscultadas, que podem ser excomungadas caso violem o segredo.
Este longo processo para a nomeação do novo bispo do Porto deixa, entretanto, marcas negativas em três dioceses: Aveiro, que fica sem o seu bispo; o Porto que, apesar de ser a mais populosa diocese do país, já desesperava pela nomeação; e Lamego, pois o nome que corria com mais insistência como provável para o Porto era o de D. António Couto, actual titular de Lamego.
“Pode haver razões para manter esta forma de nomear os bispos, mas exigem-se cada vez mais mudanças na metodologia usada”, defende o padre Rui Osório, pároco da Foz do Douro e cónego da Sé do Porto, que foi muito crítico da atitude da Nunciatura no processo.
“Se o processo fosse mais participado, os bispos, que são os garantes da sinodalidade, estariam mais sustentados no seu próprio lugar”, diz ao RELIGIONLINE.
O padre João Gonçalves comunga da mesma crítica: “Se houvesse mais pessoas auscultadas, as decisões seriam mais assumidas por todos. E ao dizermos que a Igreja é povo de Deus, isso tem de significar que o povo de Deus tem de ser escutado, para as pessoas se sentirem coresponsabilizadas.”
Licínio Cardoso, outro padre da diocese de Aveiro, foi também muito crítico da atitude da Nunciatura e do próprio processo, na sua página no Facebook: “Eis o sinal claro e evidente daquilo que de pior há na Igreja: o secretismo na nomeação dos bispos, a exclusão do povo de Deus na escolha do seu pastor. A ida de D. António Francisco para o Porto é a expressão mais visível da incompetência do núncio e de que é uma figura que está a mais na orgânica da Igreja. Um ano para escolher um bispo para o Porto!”
“Merecemos consideração”
Na diocese do Porto, as razões do profundo mal-estar prendem-se com a prolongada espera pela nomeação do novo bispo. Rui Osório, que também é jornalista, escreveu no Jornal de Notícias, em Janeiro, um texto muito crítico para com a Nunciatura do Vaticano em Lisboa: “Se  quiséssemos, até poderíamos, na Igreja Portucalense, fazer-nos de vítimas ou, como o Calimero, queixar-nos que já ninguém gosta de nós (‘é uma injustiça, pois é’ e ‘abusam porque sou pequenino’), especialmente a Nunciatura, supondo que a diplomacia do Vaticano tem responsabilidades em gerir com eficiência a nomeação do novo bispo do Porto.”
Rui Osório acrescentava: “Mesmo sem vitimização, já está a causar apreensão a lentidão do processo, num tempo em que o Papa Francisco tem imprimido à Igreja uma estimulante frescura renovadora.”
Num outro texto publicado no Facebook, Rui Osório tomava as notícias dos últimos dias, que apontavam o bispo de Lamego como novo responsável da diocese do Porto. E criticava ainda a representação diplomática do Vaticano em Lisboa, escrevendo: “Já dois diários adiantaram que o novo bispo será D. António Couto, que, para tomar posse, está à espera de restabelecer a sua saúde. Até o estado clínico vem a público! Entretanto, lamentavelmente, a Nunciatura, a quem cabe muita responsabilidade, fecha-se em copas e não torna oficial a informação, sendo cúmplice da informação posta a correr, sem sabermos se é ou não verdadeira. A Igreja tem dificuldade em aprender a lógica da Imprensa! Compreenda, ao menos e respeite, o Povo de Deus da diocese do Porto. Merecemos consideração.”
Este texto de Rui Osório foi pretexto para uma manifestação de solidariedade de João Aguiar Campos, presidente da administração da Rádio Renascença e director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, da Igreja Católica: “Quando se dilatam tanto as indecisões, qualquer decisão já é imperfeita. Percebo e partilho a dor/espanto das pessoas e da igreja local”, escrevia este responsável, num comentário ao texto de Rui Osório.
Mas nem só as dioceses de Aveiro e Porto saem feridas deste processo. Ao ter aparecido o nome de António Couto como provável sucessor, também a diocese de Lamego saiu chamuscada. Rui Vasconcelos, da Livraria Fundamentos, também criticou o facto, num dos comentários ao texto de Rui Osório no Facebook, dizendo que sofrem os católicos do Porto e de Lamego, “com a desestabilização que este tipo de ‘notícias’ provoca”. E acrescentava: “Sem entrar nas questões eclesiológicas da famosa ‘dança’ de bispos (de que a Igreja do Porto foi, parece-me, ‘vítima’), muitas vezes são as dioceses mais pequenas e interiores que sofrem no seu cuidado pastoral”. E o padre Rui Osório respondia: “Sim, é verdade, também a diocese de Lamego merece consideração e respeito. A ‘dança’ dos bispos, algumas vezes, é pouco clara. Lamentavelmente.”
Um padre da diocese de Lamego confirma esta situação: “O facto de D. António Couto estar doente e se falar dele para o Porto criou expectativas de mudança e retardou a actividade pastoral.”
Crise financeira, clero envelhecido, pouca democracia
Na mensagem que escreveu à diocese do PortoD. António Francisco diz que pede “compreensão” à diocese de onde sai, por ter aceite o serviço para o qual agora foi escolhido. Mas acrescenta: “Aveiro sabe como sempre aqui me senti feliz como bispo e como é grande a dor da separação.” Na mensagem que enviou à diocese que agora deixaAntónio Francisco acrescenta: “De todos os lugares fiz minha terra até ao fim. De todas as pessoas sempre me senti irmão. Em todos os lugares onde vivi e nos diferentes múnus que a Igreja me confiou eram previsíveis as mudanças. Menos aqui! Aveiro era para mim lugar, desígnio e missão até ao fim. Nunca aqui fui estranho nem me senti estrangeiro. Mas, hoje, compreendo, melhor do que nunca, que também aqui era simplesmente peregrino. Só Deus basta e só Cristo permanece.”
No Porto, o novo bispo vai encontrar uma tarefa nada fácil, como refere Rui Osório: uma diocese com uma “grave crise financeira”, um clero “escasso e envelhecido” e uma estrutura “pouco democrática e participativa, onde ainda falta a corresponsabilização eclesial”. 
Sendo a maior diocese do país em termos de população (dois milhões 114 mil habitantes), com uma superfície de três mil quilómetros quadrados, a diocese conta com 492 padres diocesanos e outros 920 membros do clero regular (ordens e congregações religiosas).

António Francisco dos Santos é natural do concelho de Cinfães (diocese de Lamego) e é padre desde Dezembro de 1972. Estudou em Lamego e em Paris e, em Dezembro de 2004, foi nomeado bispo auxiliar de Braga, onde esteve ano e meio, antes de ser escolhido como titular da diocese de Aveiro. É actualmente membro do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Mensagem do novo bispo à Diocese do Porto

Caros Diocesanos,

Era tão imprevisível este chamamento que Deus agora me faz que não consegui balbuciar palavra, quando a decisão do Papa Francisco me foi comunicada.
Sei que é ao Santo Padre, como Bispo de Roma e Pastor Universal da Igreja, que compete dar Pastores a todas as Igrejas. Lembrei nesse momento a Palavra de Deus ao Profeta Jeremias: “Irás aonde Eu te enviar” (Jer 1,7).
Apesar desta palavra recorrente ao meu espírito e presente no meu coração, muitas as dúvidas e grande o temor com que me defrontei ao ver as minhas limitações e fragilidades, perante a grandeza da missão.
Interroguei-me dia e noite sobre o que posso eu levar de novo a uma Diocese habitada por tanta gente de bem e de valor e habituada a tão generosos servidores como bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos.
À Diocese de Aveiro peço a compreensão para este meu gesto ao serviço da Igreja, que em nada significa, menos respeito ou menor amor. Aveiro sabe como sempre aqui me senti feliz como bispo e como é grande a dor da separação.
Todavia, senti que só conseguiria reencontrar a serenidade de coração e a liberdade de espírito, quando com a ajuda de Deus vencesse todos os receios e temores.
Levo comigo o modo próximo de ser e de viver, a alegria convicta da fé e o desejo fraterno de a todos olhar com os olhos de Deus, para a todos servir como Deus quer e ama.
IN MANUS TUAS é o lema episcopal que escolhi, quando o Papa João Paulo II, me chamou a ser bispo auxiliar de Braga e titular de Meinedo. Renovei este mesmo compromisso diante do Papa Bento XVI quando me enviou para Aveiro. É com igual verdade que agora o afirmo diante do Papa Francisco. Este lema e os sentimentos que ele exprime unem-me a Cristo e à Sua Cruz e colocam-me sob o olhar terno da Mãe de Jesus, Senhora da Assunção, nossa Mãe e Padroeira.
Saúdo, como irmão que sempre serei, o senhor Administrador Apostólico, D. Pio Alves, os senhores Bispos Auxiliares, D. António Taipa e D. João Lavrador, os senhores Bispos Eméritos, os senhores Vigários Gerais, o Cabido da Catedral, os Sacerdotes, Seminários, Diáconos, Consagrados e Leigos.
Desde já afirmo a alegria de servir a grande comunidade humana da Diocese do Porto, com os seus eleitos e representantes autárquicos, as Autoridades Locais, as Universidades e Escolas, Instituições e Associações.
Quero dirigir uma palavra de muito afeto às crianças, aos jovens e às famílias.
Serei irmão e presença junto dos doentes, dos pobres e dos que sofrem e com eles procurarei fazer caminho de bondade e de esperança na busca comum de um mundo melhor.
Quero ser apóstolo das Bem-Aventuranças nestes tempos difíceis que vivemos.
Sei que é grande a missão que agora me é confiada, mas vou com alegria e generosidade ao vosso encontro para amar a Deus e vos servir.
Alegra-me e conforta-me ser irmão convosco, tão belo é o testemunho cristão da Igreja do Porto.
Que Deus me ajude e vos abençoe.
Abençoai-me, também vós, caros diocesanos.

Aveiro, 21 de fevereiro de 2014
D. António Francisco dos Santos, bispo eleito do Porto