segunda-feira, 5 de maio de 2014

ECOS DO ENCONTRO NACIONAL

No passado sábado, 4 de maio, cerca de uma centena de antigos alunos dos Seminários da Diocese de Lamego marcaram presença no Seminário de Lamego para a realização da Assembleia Geral da ASEL e do habitual Encontro anual. Uma reunião de companheiros, de colegas e amigos que superou as melhores expetativas e onde, mais uma vez, o espírito da Asel marcou presença. A atual direção entra, deste modo, no último ano do 2º mandato com o próximo Encontro Anual marcado para dia 2 de maio de 2015 no Seminário de Resende onde se realizarão eleições para os novos Órgãos Sociais de modo a perpetuarem na história os desígnios da nossa Associação.
Para recordar, as fotos do em Encontro.































sexta-feira, 2 de maio de 2014

ASEL reune no Seminário de Lamego

O Seminário Maior de Lamego acolhe neste sábado cerca de uma centena de antigos alunos dos Seminários da Diocese de Lamego. Um Encontro Nacional onde se realiza também a Assembleia Geral da Associação.
Em tempos de mudança no modelo de formação nos Seminários Diocesanos este encontro é oportunidade de reflexão, de  partilha e de perspetiva sobre o futuro dos Seminários e, claro está, dos aselistas.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Faleceu o Cónego José da Silva



Nasceu em Penude em 13-02-1927, tendo completado 87 anos de idade.
Ordenação em 05-07-1953

A sua vida presbiteral foi dedicada à Paróquia da Vila Nova de Foz Côa onde passou a maior parte da sua vida. Foi também Diretor do Jornal O FOZCOENSE, propriedade da paróquia.

Faleceu em 24 de abril e amanhã será celebrada missa pelas 14h00 na sua Paróquia de Vila Nova de Foz Côa e pelas 17H00 as exéquias na Igreja Paroquial de Penude, sua natal.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ENCONTRO NACIONAL 2014 - 3 de maio

Podes consultar aqui a lista de inscritos para o ENCONTRO

- lista de inscritos


Publicamos também a lista de aselistas que entraram no Seminário de Resende em 1938, em 1963 e em 1988 e assinalando-se neste ano a comemoração das Bodas de Diamante, de Ouro e de Prata.

- Lista de Aselistas dos anos de 1938, 1963 e 1988

Faz já a tua inscrição:
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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Encontro Nacional 2014

Estamos muito próximos do dia do ENCONTRO

As inscrições para o ENCONTRO NACIONAL 2014, no Seminário de Lamego, no próximo dia 3 de maio, podem ser feitas aqui.


Utiliza este formulário on line!

Entrevista à Voz de Lamego

À CONVERSA COM…

Presidente da ASEL

AVELINO ALVES PEREIRA

A Associação dos Antigos Alunos dos Seminários de Lamego conta já vários anos de existência e, ao longo do ano, vai organizando vários eventos, convocando todos quantos passaram pelos Seminários de Resende e Lamego.
Na véspera de mais um encontro, fomos ao encontro do seu Presidente.

1 – O que é a ASEL?

É uma Associação que tem como finalidade a promoção do convívio e atividades culturais entre os seus associados, desenvolver e cooperar em iniciativas ou projetos no âmbito da solidariedade, manter e perdurar o carisma de ex-alunos em convergência com o espírito do Seminário.

2 – Estamos próximos de mais um encontro. Como vai ser este ano?

Os nossos encontros ocorrem habitual e alternadamente entre Lamego e Resende. Já se realizaram também em outros arciprestados da nossa diocese.Este ano será em Lamego, no nosso Seminário Maior, no próximo dia 3 de Maio. Iniciamos o dia com a Assembleia Geral, seguindo-se a Eucaristia e almoço. Da parte de tarde haverá outras atividades que fazem parte do programa já enviado aos associados. Habitualmente inscrevem-se para cima de 100 dos cerca de 600 associados. Gostaríamos de contar ainda com mais presenças pelo que aproveito para fazer um apelo à presença, para além dos já habituais, dos que se matricularam a partir de 1960. Nota-se que é a partir desse ano que os antigos alunos ainda não marcam presença. Estão convidados e apareçam com os seus familiares e amigos.

3 – Que projectos em curso, ou em preparação, gostaria de destacar?

Os antigos alunos estão espalhados por todo o país, em especial Lisboa e Porto pelo que, para além do encontro anual, não se vislumbram outros projetos em conjunto. Através dos Blogue e Site da ASEL, procuramos dar a conhecer o que acontece na nossa Diocese e com os antigos alunos e familiares. Mantemos um relacionamento próximo das equipas formativas dos Seminários de modo a acompanharmos e participarmos, dentro dos possíveis, os momentos mais significativos dos seminários e alunos. Como somos membros da UASP-União das Associações de Antigos Alunos dos Seminários Portugueses, temos participado e colaborados em todas as suas atividades. Em Braga decorrerá o Fórum “Olhares sobre o II Concílio do Vaticano” em que a ASEL abordará o tema “Nos meios da Comunicação”.

4 – Os Seminários foram / são uma importante Instituição Formativa…

Foram e são. Foram alavanca da implementação da Igreja nas dioceses e a hipótese de muitos para terem acesso aos estudos, mesmo que não tenham ascendido à dignidade sacerdotal, transmitiram disciplina, ordem, espírito de sacrifício a todos os seus alunos; são fundamentais para que a Igreja continue forte. No contexto atual, formar sacerdotes constitui um enorme desafio e uma grande responsabilidade. Um bom Seminário deverá possuir um projeto formativo que proporcione aos alunos conhecimentos e valores humanos, espirituais, intelectuais e pastorais.

5 – Como vê o contínuo esvaziamento destas casas?

Com preocupação pois é a situação ilustrativa de uma sociedade materialista, em que o espiritual está arredado das preocupações das pessoas. Sobre tema tão delicado poderemos fazer algumas considerações:

- Situação comum em toda a Europa, explicável pelas mudanças comportamentais da sociedade em geral e pela atual estrutura familiar que tem como consequência a diminuição da natalidade e grande falta de jovens;

- A família vive momentos totalmente diferentes do passado, demarcando-se da responsabilidade da educação dos seus filhos, entregando-a a terceiros – escolas e professores. A falta de ambiente familiar não favorece o aparecimento de vocações cristãs e sacerdotais;

- Há vários anos que as populações, atraídas por perspetivas de vida melhor, abandonaram os meios rurais e se instalaram nos grandes centros urbanos onde se acentuam cada vez mais a diminuição de novos sacerdotes. Há que olhar e promover a vocação nas cidades, pois é aí que há gente, onde os jovens estão presentes nas escolas e universidades.

Pela nossa parte, temos tentado contribuir, através da participação em jornadas vocacionais organizadas pelas equipas formativas dos seminários nas diversas paróquias dos arciprestados da nossa Diocese.

Continuaremos a colaborar.

Entrevista publicada na edição da VL da semana passada

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ENCONTRO 2014 - Inscrições



As inscrições para o ENCONTRO NACIONAL 2014, no Seminário de Lamego, no próximo dia 3 de maio, podem ser feitas aqui.


Utiliza este formulário on line!

Seguem já alguns dos nomes inscritos para o ENCONTRO



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pe. Rui Morais Botelho (1932 – 2014)

Deus chamou à Sua presença na eternidade o Rev. Pe. Rui Morais Botelho na noite de 07 para 08 de Abril.
Filho de Hermínio Cardoso Botelho e de Emília Rosa Morais, é natural de Alvarenga, concelho de Arouca, Arciprestado de Cinfães – Resende, onde nasceu a 20 de Agosto de 1932. Depois de frequentar os Seminários Diocesanos, recebeu a ordenação sacerdotal a 15 de Agosto de 1959.
Após a ordenação presbiteral, dedicou inteiramente a sua vida, quer ao ministério sacerdotal, quer à música, nas suas várias vertentes: composição, ensino e execução, em vários ambientes, escolas e circunstâncias.
A Diocese de Lamego agrade a Deus o dom da sua vida e do seu ministério, manifesta a sua proximidade à sua família, de um modo particular ao Rev. Sr. Pe. Simão Morais Botelho, seu irmão, e eleva ao Senhor férvidas preces pelo eterno descanso da sua alma.
As exéquias solenes, presididas pelo Sr. D. António Couto, Bispo da Diocese de Lamego, terão lugar amanhã, 09 de Abril, pelas 16h00, na Igreja Paroquial de Alvarenga.
In http://diocesedelamego.wordpress.com/

terça-feira, 8 de abril de 2014

Faleceu o Padre Rui Morais Botelho






Faleceu hoje o Padre Rui Morais Botelho.
Nasceu a 20/08/1932 e completaria este ano 82 anos de idade.
Natural de Alvarenga, foi ordenado em 15/08/1952.
O funeral será realizado amanhã, na sua terra natal, pelas 16h00.







O Padre Rui Botelho dedicou a sua vida à Música tendo sido meu professor no Seminário de Lamego e de tantos aselistas que estudaram no Seminário de Lamego desde a década de 80. Foi ainda maestro da Banda de Lalim e na Sé orientou e regeu durante décadas o Côro Litúrgico das mais importantes celebrações. Quem não se lembra da sua magistral regência, com a intervenção do Trompete em sintonia com o Órgão de Tubos habilmente tocado por Monsenhor Veríssimo. Esses tempos, na altura vividos de forma rotineira, ganham, à luz dos anos passados e da experiência da vida feita, um incontornável peso de simbolismo e saudade.
Marcante foi sempre a sua personalidade afável, o ar simpático e o gesto simples de quem tratava a todos com cordial gentileza. Bem disposto, feliz, fazia de cada momento uma oportunidade para expressar a arte musical e para partilhar a alegria que sentia na forma de ensinar.
Recordo-o com saudade e lembro-me com o carinho de um amigo a quem o Senhor hoje chamou para junto de si. Elevo ao Pai as minhas orações e sei que o Padre Rui estará a entoar as mais belas melodias junto de Deus e a rezar por nós. Porque ele era assim.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

ENCONTRO NACIONAL 2014


Terá lugar, este ano, no Seminário Maior de Lamego, o Encontro Nacional da ASEL 2014
Como sempre foi enviada a convocatória para a Assembleia Geral, com a Ordem de Trabalhos, e publica-se aqui o respetivo programa convidando, desde já, todos os aselistas a participar deste Encontro, em Lamego, no próximo dia 3 de maio de 2014.

Mensagem do Presidente

Programa


terça-feira, 1 de abril de 2014

Faleceu o Pe António José Ferreira Seixeira

Foi com grande tristeza e comoção que hoje (e apenas hoje) tive conhecimento da notícia do falecimento do Pe. Seixeira. Fomos colegas no tempo de Seminário e estudamos juntos uma meia dúzia de anos em Lamego. O seu trabalho e dedicação à Igreja, em particular, o seu amor ao Mosteiro de Salzedas recordá-lo-ão sempre como pastor dedicado à fé e à cultura.
Faleceu na madrugada do dia 28 de março. Era pároco de Salzedas, no Arciprestado de Armamar-Tarouca. Natural de Ferreirim, concelho de Sernancelhe, nasceu a 18 de novembro de 1967 e foi ordenado na Catedral de Lamego a 6 de Agosto de 1994. Nessa data já colaborava com a paróquia de Salzedas onde passou a exercer o múnus pastoral com nomeação a 28 de agosto de 1996, até ao passado dia 28 de março.
As exéquias foram presididas pelo Sr. D.António Couto, Bispo da Diocese de Lamego, na Igreja Paroquial de Ferreirim, sua terra natal, tendo sido os seus restos mortais depositados no cemitério local.
A missa de 7º dia será celebrada no próximo dia 3 de abril, quinta feira, pelas 18h30 no Mosteiro de Salezedas.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Tomada de posse de D. António Francisco dos Santos

 A entrada solene de D. António Francisco dos Santos na Diocese do Porto vai decorrer no dia 6 de abril numa celebração na catedral portuense às 16h00.

D. António Francisco dos Santos preside à missa de entrada solene na tarde do primeiro domingo de abril, depois de ter tomado posse perante o Colégio de Consultores da Diocese do Porto, no Paço Episcopal, numa cerimónia privada, no sábado anterior, dia 5 de abril.

A ASEL far-se-á representar pelo Presidente da Direção nesta celebração de entrada solene e, oportunamente, promoverá uma homenagem condigna à pessoa de D. António Francisco. 

O Contributo de um aselista

Veneráveis Unidades do Património Imaterial da Humanidade!
Com um abraço da época, creio que meio europeu, meio católico, neste período primaveril do mês de março, com chuva de primavera, vos deixo, em anexo, a reflexão livre e espontânea sob o título referenciado em epígrafe. 
Trata-se de um texto sociopolítico e religioso, cujo conteúdo pode interessar e aborrecer.
Que cada uma das 14 badaladas deste ano de fraternidade seja uma valente pancada democrática nas cabeças dos meninos portugueses, que a prometer a luz ao fundo do túnel nos deixam cada vez mais na mesma, isto é, pior! Cada vez gastam menos no país, em especial na educação, cultura e ciência, e cada vez mais na troika e já no pós-troika.

Artigos completos:

Abílio Louro de Carvalho

sexta-feira, 14 de março de 2014

Um ano de Papa Francisco em imagens


Foi em 13 de março de 2013 que Francisco foi eleito Papa e, em pouco tempo, revolucionou a Igreja com o seu modo de ser e de estar. Implementou reformas importantes e, acima de tudo, deu o exemplo do que a Igreja deve ser: pobre e desprendida, solidária e atenta aos mais fracos e desprotegidos.
Ao celebrar um ano de Pontificado deixamos algumas imagens, significativas, deste Papa de sorriso fácil e de um afeto do tamanho do mundo que semeia esperança para os próximos tempos.















quinta-feira, 13 de março de 2014

Publica-se e divulga-se o honroso convite:




"CAROS AMIGOS ASELISTAS:

Cordiais cumprimentos.
Tenho muita honra em convidar os meus Amigos Aselistas para a apresentação 
do livro de que sou autor, conforme convite anexo.
Bem Hajam.

Abraço fraterno do

Manuel Joaquim Martins de Freitas"

Faleceu Dom José da Cruz Policarpo

Sim, a notícia de ontem ao jantar, surpreendeu os portugueses a garantir a transitoriedade da vida através da figura ímpar da Igreja de Lisboa. O Cardeal Dom José da Cruz Policarpo, patriarca emérito de Lisboa, acabava de falecer no Hospital dos SAMS.
Fica assim de luto o Episcopado Português porque um dos seus mais ilustres irmãos aguarda a ressurreição final já não deste lado terráqueo. Está de luto a Igreja em Portugal, não por ele ter sido seu chefe (essa figura não existe em termos nacionais nem a diocese de Lisboa tem supremacia em relação às outras), mas porque o Bispo de Lisboa foi e continua sendo uma figura de referência pelo perfil humano, currículo académico, grande finura cultural, sensibilidade social, sensus Ecclesiae e tacto pastoral. Por outro lado, na linha da solicitude pastoral pelas Igrejas, também é notável a sua postura, por exemplo, pela dedicação à Conferência Episcopal, que serviu com denodo e a que presidiu em várias ocasiões, bem como pelo serviço de aconselhamento pontifício e pela colaboração no governo da Igreja Universal através do desempenho de múnus vários na Cúria Romana e pelas iniciativas que lançou no âmbito da nova evangelização, da pastoral das cidades e do diálogo inter-religioso.
Quanto ao seu trabalho académico, de todos amplamente conhecido (não sei se em profundidade), vasto e diversificado – quer pela obra publicada, quer pelos cargos desempenhados quer ainda pela palavra proferida em discursos, mesas-redondas, entrevistas, etc – gosto de referir que bastaria a publicação de dois escritos seus para que ele se tornasse uma notável coluna da teologia pós-conciliar: a teologia das religiões não cristãs, uma boa pedrada no charco da reflexão teológica, ainda pouco explorada neste importante setor; e sinais dos tempos, um tratado sistemático da doutrina a partir dos desafios que o mundo no seu dinamismo ambivalente lança para a ribalta, na linha da intuição de João XXIII assumida e desenvolvida pelos padres conciliares em vários documentos do Concílio Vaticano II, de que se destacam: a Gaudium et Spes (Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual); a Nostra Aetate (Declaração sobre a Igreja e as Religiões Não Cristãs); a Dignitatis Humanae (Declaração sobre a Liberdade Religiosa); o Inter Mirifica (Decreto sobre os Meios de Comunicação Social); e o Unitatis Redintegratio (Decreto sobre o Ecumenismo). São documentos – os do patriarca emérito e os do Concílio – que vale a pena reler e aguardar que atraiam mais estudo, reflexão, formulação teológica e melhor ação pastoral.
Apreciei imenso o painel de testemunhos de quantos, ainda não refeitos da surpresa, tiveram a ousadia de se pronunciar no calor do acontecimento. Disseram-se coisas maravilhosas e inteiramente verdadeiras de um homem de Deus, da Igreja e do Mundo, que, não sendo naturalmente um ser infinitamente perfeito, foi, por vezes, injustamente apreciado, nem sempre bem amado e, sobretudo pouco seguido. Das poucas vezes que falei com ele, posso reter a ideia firme que tinha do labor teológico, da clarividente ação pastoral, da capacidade de tolerância e acolhimento das ideias de outrem e da justa medida das coisas. Não é por certo necessário nem do seu agrado que, para o enaltecer, se reduzam as virtualidades de qualquer um dos seus antecessores ou atribuir especial significado àquele sonho de ser pároco de aldeia (o habitual horizonte dos candidatos ao exercício do sacerdócio ministerial numa diocese). Nenhum patriarca de Lisboa dos últimos tempos (cuja história está ainda muito por fazer) pode ser considerado uma figura de mera transição, a não ser que assentemos a sério na formulação teológico-bíblica, para todos e para tudo, de que esta vida é inquestionavelmente é um simples lugar de passagem, uma ora penosa ora leda peregrinação a caminho do Além muitas vezes sobre mais escolhos que estrada. Por isso, gostei dos testemunhos positivos de ontem, mas destaco o do professor e padre Anselmo Borges pelo apreço do perfil, pelo enaltecimento da obra e pelo sentido da justa medida.
Sendo assim, há que prestar ao eminente, que agora espera por nós, a homenagem crente pela oração, a veneração culta da memória, o seguimento discreto da concretização do desígnio, o esforçado estudo e divulgação da obra. De resto, os grandes homens têm sempre lugar de relevo na História, sem necessidade de atropelos mútuos, e um papel eloquentemente pedagógico para quem estiver disponível para o assumir.
Louvemos os Homens Ilustres, porque souberam congregar o povo, sentiram o pulsar do tempo, divisaram o futuro, e a sua memória será o luzeiro dos nossos caminhos!
2014.03.13
Louro de Carvalho


D. JOSÉ POLICARPO - MORREU O PATRIARCA "QUE NÃO PEDIA LICENÇA PARA DIZER O QUE PENSAVA"

O patriarca emérito de Lisboa, que morreu na quarta-feira durante uma cirurgia de emergência a um aneurisma da aorta, é recordado por várias figuras da Igreja ouvidas pelo PÚBLICO como “um homem de pensamento e um bom pastoralista”, que influenciou a formação dos actuais padres e que esteve em Roma numa altura de viragem após o Concílio Vaticano II.
Não foram colegas de seminário mas encontraram-se no Colégio Português, em Roma, para onde vão os consagrados que querem continuar a estudar. Então, no final da década de 1960, início da de 1970, António Janela e José Policarpo estudaram, rezaram e fizeram férias em conjunto. “Não se pode esquecer que D. José era também um homem de pensamento e um bom pastoralista”, refere o cónego Janela, actualmente na paróquia do Coração de Jesus, em Lisboa.
Também o cónego Carlos Paes, pároco de São João de Deus, em Lisboa, e responsável pelas Equipas de Santa Isabel (que acompanham casais recasados), actualmente em Cabo Verde a fazer uma formação para o clero daquele país, ficou "chocado" com a "notícia inesperada" da morte de D. José Policarpo. Com três anos de idade de diferença, tinham apenas um de curso, o que significou que se foram sempre acompanhando na sua formação e, muitos anos depois, na formação dos futuros padres. "Daí uma amizade que se prolongou pela vida toda", confessa.
Carlos Paes lembra que Policarpo estava em Roma quando se deu o Concílio Vaticano II e acompanhou-o de perto. "Foi uma experiência muito rica. Quando vinha de férias, fazíamos sempre umas tertúlias para conversarmos" sobre as mudanças e desafios que se colocavam à Igreja. "Ele estava em Roma, no coração da viragem que se estava a operar", reforça.
Quando regressou a Portugal já doutorado, o padre José Policarpo foi escolhido pelo ainda cardeal Cerejeira para dirigir o seminário dos Olivais, em Lisboa, “ficou encarregue de o reconstruir”, continua António Janela, lembrando que aqueles foram “anos muito duros os que se seguiram ao Concílio Vaticano II”, com padres a abandonar a Igreja Católica ou a serem afastados por não concordarem politicamente com a ditadura, por exemplo.
Décadas mais tarde, é D. José que os reintegra e, por exemplo, em 1998, celebra o matrimónio do ex-sacerdote Felicidade Alves – a Fundação Mário Soares apresentou na terça-feira o arquivo pessoal deste ex-padre. Durante as décadas em que esteve à frente do seminário foi “uma figura marcante” na formação dos futuros padres, recorda António Janela.
“Um homem ecuménico”
Para Carlos Paes, o cardeal emérito é responsável pela qualidade do clero do Patriarcado de Lisboa, uma vez que esteve à frente do seminário dos Olivais muitos anos. "Teve importância para o novo tipo de padres que são os que estão hoje a trabalhar. D. Manuel Clemente [que lhe sucedeu] foi seu discípulo. Foi sempre um homem de cultura que não será esquecido facilmente", continua o cónego.
D. António Ribeiro, o então Patriarca de Lisboa, tinha “enorme confiança” em Policarpo e, sabendo que este seria nomeado para bispo do Porto, pediu directamente a Roma que José ficasse como seu co-adjutor com direito a sucessão, continua Janela. Assim foi. Depois da morte de António Ribeiro, em 1998, Policarpo sucede-lhe à frente dos destinos de Lisboa. Foram os últimos anos, na primeira década do século XXI, que foram mais marcantes, avalia António Janela, recordando o Congresso Internacional para a Nova Evangelização que marcou a Europa católica e a pôs a reflectir sobre os desafios colocados à sua fé. “Foi um homem ecuménico.”
"Era uma pessoa que tinha um espírito bastante calmo mas que estava sempre bem-disposto e com um sentido de humor muito espontâneo", recorda Paes, acrescentando que "não tinha aquele estilo clerical considerado negativo": "Era franco e directo e de um trato muito agradável. Era um homem com a capacidade de ver dentro dos acontecimentos e de projectar uma ideia sempre de forma muito espontânea e lúcida", conclui.
Actualmente, D. José Policarpo encontrava-se em Sintra e sentir-se-ia “um pouco isolado”. Depois de tantos anos de mundo, “é difícil a adaptação, mas queria fazer um centro de espiritualidade e disse que o Papa o tinha encarregado de uma missão, sobre a qual não podia falar, mas era uma missão noutro país”, conta António Janela.
D. José Policarpo foi “o meu reitor no seminário, o meu reitor na universidade, trabalhei com ele diariamente”, conta no final da noite de quarta-feira o cónego Álvaro Bizarro, ecónomo do Patriarcado de Lisboa, onde chegou pela mão de D. José e se mantém ao serviço de Manuel Clemente. Bizarro recorda um “homem bom”. “Acredito que as almas dos homens justos estão nas mãos de Deus”, diz ao PÚBLICO, no momento em que está  a preparar as cerimónias fúnebres do cardeal emérito.O funeral decorre nesta sexta-feira, às 16h, na Sé de Lisboa.